Vale do Guaporé, um paraíso ameaçado pela pesca predatória

Mesmo com os alertas da Ecologia dos Rios Mequéns e Guaporé (Ecomeg), organização social engajada na preservação ambiental em Porto Rolim de Moura, distrito de Alta Floresta do Oeste, a pesca profissional e predatória está ocorrendo em larga escala na bacia hidrográfica.

Barcos de Cabixi, São Francisco e Costa Marques lançaram redes, espinheis e outros apetrechos há duas semanas embarcando pescado de todos os tipos e tamanhos, a maioria fora das medidas permitidas pela legislação.

Ativistas ligados a Ecomeg, que cuida do estacionamento no porto onde são embarcados os turistas para as pousadas da região, denunciam que o posto do Batalhão da Policia Ambiental está fechado há vários meses na sede do distrito.

As ações de fiscalização ocorrem de forma isolada e não há uma rotina que evite a depredação do meio ambiente, segundo explica a Ecomeg.

Vale do Guaporé, um paraíso ameaçado pela pesca predatória

O distrito de Porto Rolim de Moura, localizado a cerca de 700 quilômetros de Porto Velho, possui 8 grandes pousadas. No período de verão na alta temporada do turismo da pesca esportiva, a mão de obra, verduras e hortaliças do local são aproveitados pelos microempresários.

 “São mais de 1 mil pessoas que moram no distrito e que vivem diretamente do turismo da pesca”, disse o casal Osmarina e Toa Zaballa, que possui uma pousada na baia que leva o sobrenome do marido já em território boliviano.

Só no empreendimento localizado em Puerto Rúbio mais de oito pessoas entre cozinheiros, auxiliares e piloteiros são recrutados no distrito de Porto Rolim gerando emprego e renda. “Se acabar o peixe, acaba o turismo e nossa comunidade vai passar por grandes problemas”, explicou Osmarina.

Ela e o esposo recebem turistas de todo Brasil. Já passaram até grupos de americanos e japoneses interessados na grande quantidade da espécie Tucunaré, peixe de ataque muito procurado pelos pescadores amadores. “É a quarta vez que venho ao Guaporé. Indico para quem gosta da pesca esportiva.

Há um grande cuidado com a preservação das espécies e do ambiente”, disse Rodrigo Meireles de Ji-Paraná. “É a terceira vez que venho pescar no Guaporé. É maravilhoso e o atendimento é nota 10”, corroborou Wendel Lima.

O que diz a Polícia Ambiental

Em contato com Jornal Rondoniagora, o comandante do Batalhão de Polícia Ambiental, major PM Washington Soares Francisco, explicou que o quartel mais próximo de Porto Rolim fica em Alta Floresta. Nesse período, segundo ele, os crimes de pesca ilegal começam a aumentar, período de maior atuação dos policiais.

“A fiscalização é feita tanto na vila como no porto de embarcações e pescado. Na estrada também são feitas abordagens.

Todos os anos o BPA atua em Porto Rolim principalmente no período mais crítico. Temos um compromisso com a região onde o turismo é um chamativo. Só com a fiscalização que a pesca predatória diminui”, explicou o comandante.

O período do verão é o mais crítico no rio Guaporé, avaliam os proprietários de pousadas e representantes da Ecomeg. Mas no momento, não há policiais disponíveis na sede do distrito e no porto onde são embarcadas pessoas e mercadorias.

“Vamos fazer um apelo ao Governo do Estado para reforçar o policiamento. São famílias que sobrevivem do turismo de pesca aqui no Porto Rolim “, disse Toa.

Fonte: Gérson Costa

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