Saúde: Como exercícios e alimentação podem ajudar na recuperação pós-Covid

19 abril, 2021

Confira orientações sobre a prática de atividades físicas e a dieta adequada para quem teve alta da doença, mas ainda sofre com as sequelas

Pacientes que receberam alta da covid-19 podem apresentar sintomas após longos períodos, o que exige cuidados para uma reabilitação completa.

“É muito comum fadiga crônica, falta de olfato, dor de cabeça, queda de cabelos, entre outros sintomas”, enumera a médica Beatriz Lassance.

A boa notícia é que ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos podem ajudar nesse processo de recuperação. “É muito importante, porém, procurar orientação médica. Verificar se há comprometimento pulmonar, porque o exercício físico poderá ser um fator de estresse para o organismo”, alerta.

Segundo a médica, a falta de nutrientes, como proteínas e vitaminas, pode dificultar a prática. “Muitas vezes, são necessárias reposição nutricional e fisioterapia respiratória e motora”. A orientação dela é respeitar o corpo. “A sensação de cansaço deve diminuir com o tempo. Tenha paciência e faça as atividades físicas de forma confortável. O importante nesta hora é não se cobrar”, expõe.

Beatriz explica que um dos estudos mais completos sobre o assunto foi realizado em Wuhan (China). A pesquisa avaliou 733 pacientes após seis meses da infecção: 76% deles ainda apresentavam algum sintoma.

Desses, 63% tinham cansaço, 26% dificuldade para dormir, 23% ansiedade/depressão e cerca de 10% contavam perda de olfato. “Quanto maior o acometimento do organismo pela covid-19, maiores as chances da persistência de alguns sintomas.

“A fadiga, por exemplo, deve-se a várias causas e pode ser decorrente da perda de massa muscular causada diretamente pelo vírus.

Exercício físico

Muitas pessoas que tiveram covid-19 têm dúvidas na hora de voltar à prática de atividades físicas. O personal trainer David Carvalho reforça o conselho de Beatriz Lassance: o primeiro passo é procurar um médico.

“É necessário a realização de exames para verificar possíveis sequelas. Mesmo para os indivíduos com casos moderados”.

O segundo passo é procurar um profissional de educação física, pois a prescrição do programa de exercícios deve ser individualizada.

“Isso dependerá, principalmente, do status de saúde geral do indivíduo”, diz Erick Carlos, também personal trainer. “É preciso organizar e adequar o programa, ou seja, prescrever o tipo de exercício, a intensidade e o volume, que são diferentes para cada pessoa. Isso é importante porque garantirá a segurança e a eficiência dele”, afirma Erick.

De acordo com David, geralmente não há restrições quanto ao tipo de atividade. “As principais precauções devem se ater a fatores como volume e intensidade.

Quanto mais extenuante e volumoso for, mais estresse será imposto aos sistemas orgânicos. Isso, em alguns casos, pode trazer prejuízos à saúde geral, principalmente no momento em que está se recuperando da doença”, informa.

Exercícios com peso não são contraindicados, na verdade são importantes aliados na reabilitação.

“A baixa capacidade funcional está associada à queda na força e na massa muscular, frequentemente observada em indivíduos com doenças respiratórias graves. Nesse sentido, o treinamento com peso será importante para a melhora do indivíduo”, explica Erick.

David acrescenta que o treinamento com pesos promove adaptações positivas, como nos sistemas cardiorrespiratório, nas funções metabólicas corporais e na função cognitiva. Também a diminuição de índices de ansiedade e depressão.

É importante lembrar que, durante a prática dos exercícios, as precauções gerais recomendadas pelas organizações de saúde devem ser consideradas, como o distanciamento social, o uso de máscara e o monitoramento da temperatura.

O professor de educação Lucas Vivas, 26 anos, pegou covid-19 e não parou de se exercitar, mas diminuiu a intensidade e o volume. “As atividades ficaram mais leves e menos rápidas. Antes, eu fazia cinco vezes na semana, mas, com a doença, reduzi o número de dias” diz ele, que ficou assintomático.

O médico entrou em contato com um médico do filho dele, que é pediatra e infectologista. “O profissional me orientou a comer alimentos mais proteicos e gorduras boas, como azeites e castanhos. Também alimentos com cálcio e carboidratos, como laranja. ” Segundo ele, os exercícios são ótimos e auxiliam na respiração, como caminhadas e os de baixa intensidade.

Não fique parado

Confira quatro exercícios, com duração de 20 a 25 minutos, para sair do sedentarismo e melhorar a imunidade. Faça de 20 a 30 segundos de cada movimento, com descanso de 15 a 30 segundos entre um exercício e outro. Lembre-se de sempre contrair o abdômen:

Fonte: Walter Oliveira, professor e técnico da Fit Sul.

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