Moraes, Vorcaro e o jatinho: quando a “mentira” veste toga

21 setembro, 2026

Novas imagens divulgadas neste domingo (20) acrescentaram um elemento concreto à controvérsia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O vídeo mostra Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, em agosto de 2025, de um Legacy 650 ligado a empresa associada a Vorcaro.

O registro ganhou repercussão porque contrasta com uma declaração anterior do gabinete do ministro. Em abril, Moraes afirmou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. A divulgação posterior das imagens levou veículos como Metrópoles, Folha de São Paulo e UOL a apontarem uma contradição factual entre aquela afirmação e o registro do voo.

O caso também se conecta às apurações sobre contratos envolvendo o escritório de Viviane Barci. Segundo investigações citadas pela imprensa, houve negociação de um segundo contrato de R$ 50 milhões no qual cotas de utilização de aeronaves figuravam entre as formas de pagamento discutidas.

O escritório de Viviane, porém, sustenta que esse contrato não chegou a ser firmado e afirma que utilizava serviços regulares de táxi aéreo, cabendo à empresa contratada decidir qual aeronave seria empregada.

A defesa também diz que Vorcaro não esteve presente nos voos. A questão central agora é esclarecer a diferença entre a negativa pública feita anteriormente e os registros posteriormente revelados.

As imagens, por si só, comprovam a utilização daquela aeronave naquele deslocamento; não demonstram, isoladamente, eventual irregularidade jurídica ou a existência de contrapartida indevida.

Moraes e o escritório de sua esposa negam irregularidades, enquanto as circunstâncias envolvendo os contratos e o uso das aeronaves seguem sob escrutínio público e investigativo.

Por Emílio Kerber Filho

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