Lula também esculhamba o STF

3 abril, 2026

Já faz tempo que a indicação ao Supremo foi poluída politicamente, mas o cálculo político nunca foi tão escancarado quanto no caso de Messias.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) esculhambaram o tribunal de vez ao bloquear o prosseguimento da CPMI do INSS argumentando contra “inquéritos eternos” o maior “inquérito eterno” da história do Brasil está em vigor no próprio STF desde 2019.

Hoje, os maiores ataques à integridade do Supremo partem de dentro do próprio tribunal, de ministros cujas condutas questionáveis são protegidas em nome da defesa da democracia brasileira.

Não bastasse o desgaste vindo pelo lado de dentro, Lula resolveu contribuir para a esculhambação do STF, segurando por mais de três meses a formalização da indicação de Jorge Messias ao Senado, diante do risco de reprovação da sua indicação.

Poluição política

Já faz tempo que a indicação para o STF foi poluída politicamente e Jair Bolsonaro também contribuiu para isso, indicando o “terrivelmente evangélico” André Mendonça para acenar ao seu próprio eleitorado, mas o cálculo político nunca foi tão escancarado quanto no caso de Messias.

Diante da promessa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de pautar a sabatina de Messias o mais rápido possível no fim do ano passado, para dificultar sua aprovação, o governo Lula aplicou um drible sorrateiro e deixou de enviar a indicação formal.

O governo anunciou que a formalização sairia na terça-feira, 31 de março, mas só encaminhou a indicação ao Senado mesmo na tarde desta quarta-feira.

Herança maldita

O bastidor dá conta de que Alcolumbre foi surpreendido pelo novo anúncio de Messias, o que não é uma boa notícia para o indicado de Lula. E, ainda que a questão se resolva nas próximas semanas, o estrago já está feito.

Não satisfeito em fazer um governo ruim, na tentativa frustrada de repetir as gestões passadas, e aumentar a dívida pública brasileira com uma gestão irresponsável, Lula deixará também um péssimo legado na relação do Executivo com o STF, no qual seu governo se pendurou.

Além de fazer indicações de cunho claramente pessoal, do advogado que o defendeu na Operação Lava Jato, de seu ministro da Justiça e de seu advogado-geral da União, o presidente protagoniza a indicação que deve entrar para a história como a mais tumultuada da história do STF.

Por: Rodolfo Borges

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