Jovem cafeicultor indígena segue o legado do pai e leva o 3º lugar no Concafé 2020

8 novembro, 2020

Tecnologias de produção sustentável transformam indígenas em produtores de Robustas Amazônicos especiais

O Robusta Amazônico especial e sustentável da família indígena Aruá, mais uma vez, é motivo de orgulho para os rondonienses.

O jovem cafeicultor Tawã Aruá, de 22 anos, conquistou o terceiro lugar no Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia – Concafé 2020.

Ele segue os passos do pai, Valdir Aruá, que, em 2018, ficou em segundo lugar no mesmo concurso e se tornou símbolo de uma cafeicultura inclusiva e sustentável na Amazônia.

Eles são da aldeia São Luís, na Terra Indígena Rio Branco, no município de Alta Floresta D’Oeste, que fica cerca de 600 quilômetros da capital de Rondônia.

A família Aruá já trabalha com café há 18 anos. Antes da participação nos concursos, a cultura era apenas uma fonte de renda, mas, agora, há muito mais valor agregado.

“Esta conquista é fruto de muita dedicação. O café é hoje para a gente a valorização e o reconhecimento do nosso trabalho e do nosso povo. Estamos provando que o indígena é capaz de produzir e, que buscamos evoluir sempre”, comemora o indígena Tawã.

Ele faz planos de utilizar o prêmio para mais investimentos na lavoura, na família e num sonho: “quero fazer faculdade de odontologia e o café pode me ajudar muito”, conta.

Assim como seu pai, Tawā representa os bons exemplos da cafeicultura de Rondônia, que evolui com a força dos jovens e a experiência dos pais.

Em 2018, a conquista de Valdir Aruá deu início a um processo de transformação que tem mudado a forma de enxergar a cafeicultura indígena na própria aldeia, no estado e no Brasil.

Uma conquista partilhada por toda a cadeia, já que os holofotes da qualidade e da sustentabilidade dos cafés do Brasil se voltaram para a produção de Robustas Amazônicos em Rondônia.

É um café aliado da floresta. A produção da família Aruá não leva produtos químicos, é um Robusta Amazônico sustentável.

É realizada com atenção a cada detalhe na colheita e pós-colheita. “Tenho muito orgulho pelo café especial que produzimos e por levar o povo indígena neste produto, que respeita a natureza.

A floresta é muito importante, não só para nós indígenas como para o mundo todo. Não queremos e não precisamos desmatar. A área que temos aqui já é suficiente para uma boa produção e com qualidade”, afirma o cafeicultor Valdir Aruá.

Qualidade que transforma sonho em realidade

O segundo lugar no Concafé, em 2018, e o primeiro lugar, em 2020, selam um trabalho que teve início com um sonho, aliado a muita dedicação e a união de esforços.

Enquanto trabalhava como motorista na aldeia, Valdir Aruá sonhava em ser reconhecido como um cafeicultor e que o fruto de seu trabalho, o Café Aruá, chegasse às mesas dos brasileiros.

Era nas horas vagas, na lavoura próxima à sua casa, que ele e a família se dedicavam a concretização desse objetivo.

Foi aí que, no início de 2018, o senhor Valdir viu a oportunidade de dar continuidade passos mais largos rumo ao seu desejo.

Por meio de um projeto de parceria entre a Embrapa Rondônia e a Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D’Oeste – Semagri, com apoio da Funai, ele recebeu instruções técnicas e ajuda para construir o primeiro terreiro suspenso com cobertura de plástico transparente da aldeia.

Mal sabia ele que, naquele momento, seu sonho ganhava forma e outros tantos passaram a sonhar junto.

A família colocou em prática todos os ensinamentos recebidos, passou a identificar as plantas com maior potencial e iniciou uma colheita cuidadosa e secagem lenta sob o sol amazônico e a brisa da floresta.

Como resultado desse trabalho quase artesanal da família Aruá, ainda no primeiro ano de projeto, o micro lotes de quase dez sacas participaram do Concafé e ganharam o prêmio de segundo lugar.

Fonte: Embrapa

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