A quem responsabilizar por tantas mortes que poderiam ter sido evitadas?

Tudo começou, no mundo inteiro, bem no início desse ano. Explodiu no Brasil após o Carnaval, onde a irresponsabilidade de muitas autoridades e de boa parte da mídia, que fizeram de conta que nada estava acontecendo.

Liberou geral para que milhões de pessoas fossem às ruas brincar no carnaval, amontoadas, enquanto a doença se espalhava a partir do final de abril e meados de maio, a situação piorou muito.

Não só porque, na verdade, ninguém sabia exatamente o potencial da pandemia que estava começando a atacar o Planeta, mas também porque, ao menos no Brasil, o combate à doença foi politizada.

Tudo o que o governo Bolsonaro dizia e principalmente no que falava ele mesmo era mote de contestação não só dos opositores, derrotados nas urnas, mas igualmente por boa parte da mídia, que colocou seus interesses e suas perdas, acima das perdas de milhares de vidas.

Depois de quase 3 milhões e meio de brasileiros afetados; depois do início da pandemia e chegando nas 116 mil mortes, infelizmente o mote político-partidário continua, como se ele fosse o mais importante de todo o contexto e a prioridade absoluta não fosse, sem qualquer senão, a defesa da vida humana.

Enquanto governistas, oposicionistas, grupos de médicos e cientistas discutem o que deve ou não ser feito, muitas vezes apenas fazendo debates infindáveis, baseados em crenças pessoais e ideológicas, o brasileiro continua morrendo.

No futuro, quando forem analisados os erros e acertos no combate à essa terrível pandemia, depois de milhões de atingidos e, infelizmente, milhares e milhares de mortos (já são mais de 800 mil em todo o mundo), será tarde demais para se descobrir que, sem esse debate ideológico, muitas vidas teriam sido salvas.

Por exemplo: no mundo todo, mas muito pior no Brasil, é irritante a eterna discussão sobre o uso ou não da cloroquina que é, unicamente, político-partidária-ideológica.

Não importam as provas de que centenas e centenas e centenas de pessoas foram curadas no começo da doença, com um coquetel que inclui esse medicamento: quem é a favor é bolsonaristas; quem é contra é oposição.

Enquanto essa discussão absurda, doentia, desumana se amplia cada vez mais, abrem-se, na mesma proporção, mais e mais sepulturas. Isso é apenas um exemplo. Há muita coisa pior, que, infelizmente, só saberemos no futuro.

E o que mais vamos lamentar, além de tantos brasileiros que foram embora para sempre, é que não haverá a quem cobrar por tantas mortes que poderiam terem sido evitadas.

Só restará mesmo a tristeza e o desespero de quem perdeu seus entes queridos, enquanto se discutia política!

Por Sérgio Pires

Comentarios