A casa de Alexandre de Moraes caiu
2 setembro, 2026

O que antes podia ser tratado como especulação ganhou outra dimensão. O relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro colocou Alexandre de Moraes no epicentro do escândalo do Banco Master.
Mensagens, documentos, metadados e registros analisados pelos investigadores revelam uma proximidade entre o ministro do STF e o banqueiro muito maior do que se conhecia publicamente.
A PF identificou referências a pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro. Mais grave: nos dias que antecederam sua prisão, o banqueiro procurou repetidamente o ministro. Em uma das mensagens, perguntou se já deveria estar “fora” na segunda-feira. Em outras, buscou informações sobre a investigação e perguntou se seria possível fazer alguma coisa.
O relatório não demonstra que Moraes tenha atendido a esses pedidos, mas o conteúdo das mensagens levanta questionamentos inevitáveis sobre a natureza dessa relação. O escritório de Viviane Barci, esposa do ministro, mantinha um contrato milionário com o Banco Master.
Segundo a PF, metadados de versões da minuta registram o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última modificação dos arquivos. O escritório afirma que Moraes foi consultado apenas para verificar eventuais impedimentos legais.
Ainda assim, o dado coloca o ministro dentro da história de um contrato que movimentaria cerca de R$ 3 milhões por mês. As mensagens encontradas pela PF tornam o quadro ainda mais explosivo.
Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório como prioridade e, paralelamente, aparecem conversas nas quais o banqueiro pede que sejam acionados “Andrei” e “Paulo”, referências que os investigadores associaram ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Até agora, não há evidência de que qualquer intervenção solicitada tenha efetivamente ocorrido. O caso chegou a um ponto em que André Mendonça pediu esclarecimentos à PGR e avalia os próximos passos da investigação.
A partir daqui, Moraes não enfrenta apenas críticas políticas ou acusações lançadas por adversários. Há um relatório da Polícia Federal, produzido a partir de material apreendido no celular de Vorcaro, que coloca diante do país fatos que precisam ser explicados.
A casa de Moraes caiu ao menos politicamente. Isso não significa que esteja comprovada a prática de crime, muito menos que seu impeachment seja juridicamente inevitável. Mas significa que o debate mudou de patamar.
A pergunta agora é outra: diante desse conjunto de mensagens, encontros e documentos revelados pela PF, até quando o Senado conseguirá evitar uma discussão séria sobre a permanência de Alexandre de Moraes no Supremo?
Por Emílio Kerber Filho
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